Como Colecionar


QUANTO VALE UMA LATA?

Esta é uma questão difícil de responder.
O valor de uma lata geralmente depende da sua idade, da quantidade de exemplares produzidos, do país de origem e do seu aspecto geral. Uma boa preservação é também importante (ver conservação de latinhas).
No entanto, as latas não possuem um valor oficial como os selos ou jóias ou outro tipo de colecionáveis. Existem alguns guias ou catálogos que tentaram fazer uma estimativa dos exemplares mais interessantes mas é claro que apenas puderam sugerir um valor: uma velha lata, por exemplo, pode valer um bom dinheiro mas também pode valer menos da metade do valor no país de origem porque foi muito mais fácil de obter.
Então, não existe um valor absoluto que se pode atribuir. A experiência é certamente um bom guia. Um novo colecionador deverá pedir a um colecionador mais experiente um conselho, especialmente antes de fazer uma compra.
Quando se vende ou compra um conjunto ou uma coleção inteira, o preço não pode ser calculado como a soma dos valores de cada lata (com exceção de exemplares raros ou importantes) mas sim como o valor de um todo, um valor arredondado.
A ausência de um catálogo muitas vezes leva a especulações especialmente com novos colecionadores que se deve evitar.
Como uma lata não tem um valor oficial (isto é uma lata não pode ser considerada uma forma de "investimento" como uma pintura de um artista famoso), em termos gerais pode-se dizer que vale tanto quanto um colecionador está disposto a pagar para a levar para casa. O que significa que se estou vendendo um exemplar raro poderei pedir um preço alto por ele e eventualmente ter sucesso, mas também poderá acontecer que não encontre um colecionador interessado em dar o valor pedido o que significa que a lata acabará por perder valor.

O QUE DEVO COLECIONAR?

Um bom colecionador deverá ter em mente que tipo de latas deverá colecionar e as que deverá colocar de lado.
Atualmente pela grande quantidade de latas é bom que ao iniciar sua coleção faça uma opção para delimitar sua coleção, em vez de colecionar todas as latas que encontrar deve escolher se quer colecionar um ou mais determinados países, determinadas épocas (por exemplo: segunda guerra), OCOC (one county one can) ou por temas (por exemplo: futebol, esportes, trens, artes, etc.) diminuindo sensivelmente a quantidade, mas aumentando a qualidade.

GRANDES E PEQUENAS ALTERAÇÕES - De vez em quando, as marcas modificam o design do seu logotipo. Mas até que ponto essas alterações deverão ser importantes comparadas com a(s) anterior(es)?
Na maioria dos casos as alterações são muito evidentes: o fundo poderá ter uma nova cor, ter um novo elemento gráfico (uma risca, uma imagem, medalhas, etc.) que poderá aparecer ou desaparecer da marca dando um aspecto diferente.
Mas por vezes as mudanças são sutis: as cores brilhantes poderão ficar desbotadas, uma ou outra palavra poderá mudar (por exemplo a palavra beer poderá ficar lager ou export pilsener ficar export, etc).
Não obstante, a maioria dos colecionadores consideram estas grandes alterações e acabam por ficar com as latas.
Em alguns casos as alterações são tão pequenas que só um olho experiente detecta (isto é, pequenos detalhes no brasão/marca). Alguns colecionadores ainda procuram alterações no texto informativo, no código de barras, no símbolo da reciclagem, no endereço das fábricas, na indicação do valor de álcool ou capacidade, etc. Estas são consideradas alterações menores, e apenas colecionadores especializados num determinado país ou marca é que mantêm uma lata com estas alterações.

A REGRA "FIVE FOOT" (cinco pés) - Os novos colecionadores quase sempre começam por uma simples regra: quanto mais melhor! Isto é muito comum porque as pequenas mudanças aumentam os exemplares de uma coleção.
Mas quando uma coleção atinge os 1000 exemplares e o espaço para expor começa a ser um problema, as primeiras latas a serem retiradas são as que mostram pequenas alterações. Mas se é seu desejo continuar com essas latas (continuar a guardar os exemplares com qualquer tipo de alteração por menor que sejam) é melhor arranjar desde já um espaço extra para as guardar. Caso tenha pouco espaço disponível, é melhor ficar pelas grandes alterações numa lata.
Um esquema muito comum seguido pelos colecionadores das grandes alterações é a chamada regra "five foot" (cinco pés). Significa que os colecionadores se colocam a uma distância da lata de cerca de 5 pés (mais ou menos 1 metro e meio) para a observar. Se notarem algumas diferenças, então ficam com esse exemplar. É fácil e muito eficaz.

A diferença poderá ser mesmo muito tênue: as letras de premium são ligeiramente diferentes

ESPECIALIZANDO-SE

Quando a sua coleção começa a dar problemas de espaço, talvez tenha chegado a ocasião para repensar o que fazer com ela... digamos, escolhendo uma especialização. Isto significa que irá começar a guardar um especifico tipo de lata, marca, país, etc.. Poderá até ter uma ou mais especializações ou modificar sua coleção para a variedade "OC/OC", isto é "One Country/One Can" (um país/uma lata). No fundo tudo depende do espaço que tiver para expor as suas latas, não há limite para a sua "especialização".
Cada país poderá ter uma espécie de guia/catálogo de alterações dependendo da quantidade das grandes alterações produzidas. Nos EUA, por exemplo, todos os anos são verificadas centenas de alterações. Ninguém pensa em arranjar todos os exemplares com essas alterações menores. A prova disto é que nenhum dos três catálogos oficiais de cervejas dos EUA consegue catalogar tantas variações. Outros países, tais como a Itália ou o Brasil que têm uma quantidade menor de marcas, podem ter variações por volta de 20 ou mais exemplares, cada uma classificada nos catálogos locais (no Brasil temos o "Guia Brasileiro de Latas de Cerveja" publicado pelo colecionador Aldo David).

PARA COLECIONADORES DE LATAS DE CERVEJA

SERÃO CERVEJAS? Um tema de discussão entre alguns colecionadores de latas de cerveja é sobre se devem guardar latas que em muitos casos poderão ser consideradas de "quase cerveja" (problema que não afeta quem coleciona todo o tipo de latas de bebidas).

CERVEJAS NÃO ALCOÓLICAS - estes produtos, que também são conhecidos por alcohol-free lagers, bebidas de malte, etc., apesar de não conterem álcool são na verdade cervejas também, no Brasil a maioria das fábricas de cerveja produzem pelo menos uma marca e nos outros países as marcas tal como Amstel, Bavaria, Henninger, Löwenbräu, Oranjeboom, Schlitz e muitas outras, produzem cerveja sem álcool (especialmente para os países árabes) a par da cerveja tradicional. Este fato faz com que muitos colecionadores guardem exemplares das latas de cerveja deste tipo.

BEBIDAS COM MISTURA DE CERVEJA - existem algumas bebidas mixadas na qual a cerveja faz parte da sua composição. O resultado é usualmente uma bebida refrescante que contém um valor muito baixo de álcool (0,5%) ou mesmo um valor 0. As mais conhecidas são as shandy (cerveja e limonada/gasosa) - conhecida em Portugal como panaché ou pinoché - e mais recentemente uma versão alemã chamada radler. Alguns colecionadores de latas de cerveja não guardam este tipo de latas.

FALSAS CERVEJAS - estas bebidas não são cervejas apesar de na composição estar a palavra cerveja. As duas bebidas mais conhecidas são a cerveja "ginger" (que se encontra na Inglaterra) e a cerveja "root" (que se encontra principalmente na América). Apesar da fabricação passar por um processo semelhante ao das cervejas, não contêm álcool e - o mais importante - não tem gosto de cerveja. Definitivamente, são refrigerantes.

A ARTE DO DESPERDÍCIO OU ... COMO MANTER O AMBIENTE LIMPO AO SE PROCURAR LATAS JOGADAS NO LIXO

Noutros termos, significa procurar/encontrar latinhas abandonadas na estrada, rua ou latas de lixo que tragicamente irão parar num depósito de lixo ou numa empresa de reciclagem (dependendo do país).
Acha interessante? Os colecionadores snob's provavelmente acharão esta atividade reprovável mas muito bons exemplares de coleção são encontrados deste modo.
Tal como o nome sugere, a idéia básica é uma visita às latas de lixo onde se poderão encontrar latinhas abandonadas apesar de não ser higiênico, consegue-se na maioria das vezes encontrar exemplares danificados.
Em contrapartida, existem alguns bons locais onde se poderá arranjar latas em bom estado:

ESTÁDIOS, LOCAIS DE SHOWS, ETC. - estes são os locais mais óbvios para se encontrar latas: depois de um desafio de futebol, um show ou concerto de música ou outro acontecimento similar, geralmente as imediações ficam cheias de latas à espera que alguém as escolha. É claro que alguns exemplares ficam em muito, muito mau estado porque há muitos que gostam de esmagar uma lata antes de a jogar fora. Mesmo assim, ainda se consegue encontrar bons exemplares. Tem que entrar em ação pouco depois dos eventos terem terminado senão os serviços de limpeza são mais rápidos.

POUSADAS DA JUVENTUDE, CAMPING - não oferece tantas possibilidades como a hipótese anterior mas com facilidade se poderá encontrar alguns poucos exemplares estrangeiros. A procura será mais proveitosa durante os períodos de férias.

LOCAIS TURÍSTICOS (MUSEUS, MONUMENTOS, ETC.) - nestes locais tem de se observar as latas de lixo para se encontrar latinhas.

PRAIAS OU LOCAIS IDÊNTICOS - são locais muito bons para se encontrar latas nos períodos de férias, mas devido às condições ambientais (sol, água, areia, vento, etc) as cores têm tendência a desaparecer rapidamente. Daí que a procura tem de ser rápida.

Se nas primeiras experiências não tiver muita sorte, não se deve desistir: poderá encontrar latas a qualquer momento. O procurar latas abandonadas é um pouco como pescar: tem que gostar para dar resultados. E quando os obtemos, é muito recompensador.
Como alguns dos locais onde se pode encontrar latas não são dos mais limpos, é bom lembrar que se deve ter alguma precaução:
Se possível, use uma daquelas luvas descartáveis
Evitar levar as mãos aos olhos ou boca ou mesmo pegar em comida
Evitar mexer nestes locais se tiver feridas, cortes ou arranhões nas mãos
Retirar muito bem tudo o que estiver dentro da lata
Junte as latas que encontrar num saco plástico e uma vez em casa, lave-as muito bem (ver conservação de latinhas): neste caso deverá limpar muito bem o interior da lata.
Retire da lata qualquer coisa que esteja no seu interior: pontas de cigarro, palitos, fósforos, papéis, folhas, insetos, etc. usando pinças ou outra ferramenta.

ABRIR POR CIMA OU ABRIR POR BAIXO?

As latas deverão ser abertas por cima ou por baixo? Alguns colecionadores nem sequer pensam noutra hipótese: abrem sempre por baixo. As latas abertas por baixo são vistas com maior valor do que as latas abertas por cima, especialmente em países americanos e por certos colecionadores que apenas colecionam latas abertas por baixo.
Pessoalmente, acho que cada colecionador é que decide. Eu, guardo abertas por cima e tenho algumas abertas por baixo. Desde que consiga arranjar latas que não tenho, não ligo para esse pormenor.
Se o topo tem algo que não se deve estragar, então a lata deve ser aberta por baixo.
No Brasil, passou-se a furar por cima as latinhas de algumas fábricas que utilizam o selo higienico (uma tampa feita com uma folha fina de alumínio que cobre o topo da latinha).
É mais ou menos este o aspecto que deverá ficar no fundo da lata (depende do número de buracos que fizer)
O material que necessita para abrir por baixo é de uma ferramenta pontiaguda com a qual vai fazer dois ou mais buracos no fundo da lata. É importante ter cuidado ao abrir os buracos para não danificar a lata (amassar ou riscar). Os buracos deverão ser pequenos não maiores que 1cm. Depois dos buracos feitos, é retirar o líquido com o cuidado de não se molhar!
Alguns problemas poderão surgir ao abrir a lata por baixo:
Para retirar o líquido torna-se muito mais difícil. Daí que seja mais indicado o buraco ter pelo menos 1cm para que seja tudo mais fácil.
Se a lata tiver partes amassadas tornam-se muito mais difíceis de suavizar a não ser que o buraco seja maior que 1 cm de modo a que a ferramenta que usar para a reparação possa passar.
Lembre-se que numa coleção de latas não existem regras especificas: é o seu hobby e por conseguinte a sua escolha pessoal.

CRIAR O SEU PRÓPRIO CATÁLOGO

À medida que a sua coleção vai aumentando, a existência de um catálogo pessoal poderá tornar-se muito útil: quando se encontrar com outros colecionadores, o fato de possuir um catálogo irá facilitar as suas trocas e/ou vendas.
A melhor maneira de criar um catálogo é de fotografar as suas latas, tanto individualmente, como em grupos de 25-30 de cada vez (um número maior impossibilita a visualização dos pormenores dos exemplares fotografados), agrupando-os por país, tamanho, marca, etc.
Sempre que tiver 30-60 novas latas o catálogo necessita de uma atualização, com a substituição de algumas fotos.
Não precisa ser um profissional de fotografia para tirar boas fotos. Aqui vão algumas dicas para quem pretende tirar fotografias de conjuntos de 25-30 latas de cada vez:
Disponha os exemplares em 3 filas de 8-10 latas, uma por cima da outra. Cada fila deverá ter latas do mesmo tamanho. Certifique-se que as latas estão firmes e direitas. Para um melhor balanço, poderá apoiá-las em tiras de cartão (ou material semelhante).
Nas pontas das filas, gire um pouco as latas de maneira que as marcas fiquem ligeiramente para dentro, isto para que na foto apareçam centradas e perfeitas.
A luz deverá ser colocada por cima das latas apontada para baixo ou colocada por baixo apontada para cima para evitar reflexões desagradáveis na superfície metálica. Pela mesma razão não deverá usar flash. Caso seja necessário, coloque um lenço de papel fino para quebrar a luz direta.
As fotos tiradas ao ar livre (com luz natural) ficam com melhores cores mas tem de se ter cuidado com reflexões que poderão tornar certos detalhes imperceptíveis.
Para máquinas reflex: use película fotográfica com, pelo menos, 100 asa/iso (valor dos rolos normais de fotografia) e a abertura não deverá ser menor que 5.6 (se a sua máquina tiver o programa automático, use-o)
Para máquinas não reflex (polaroids, digitais): guardar a distância suficiente das latas devido à distância mínima para a focagem, e desligar o flash.

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